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Extrato bancário falso: como detetar fraude no crédito

Como identificar um extrato bancário falso ou gerado por IA usado para inflacionar rendimentos num pedido de crédito, habitação ou arrendamento em Portugal.

Equipe CheckFile
Equipe CheckFile·
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Um extrato bancário falsificado usado como comprovativo de rendimento é um documento de várias páginas — saldo mais histórico de movimentos — fabricado ou editado para simular uma capacidade financeira que o candidato não tem. É um esquema diferente da fraude de dados bancários falsos, que serve apenas para redirecionar um pagamento através de um IBAN trocado: aqui o objetivo não é desviar dinheiro, mas convencer um banco, uma financeira ou um senhorio de que o candidato tem rendimento e solvência suficientes para um crédito, um empréstimo à habitação ou um contrato de arrendamento.

Este artigo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento jurídico, financeiro ou regulatório.

O que é um extrato bancário falsificado usado como comprovativo de rendimento

Um extrato bancário falsificado neste contexto é um documento multi-página — com saldo de abertura e fecho, listagem de movimentos e, normalmente, o logótipo e o formato de uma instituição real — alterado ou gerado de raiz para mostrar entradas de salário, transferências ou saldos que nunca existiram. Ao contrário de um comprovativo de IBAN isolado, este documento precisa de ser internamente coerente ao longo de várias páginas: os saldos têm de bater certo mês a mês, os movimentos têm de parecer plausíveis e a numeração de página não pode denunciar cortes ou inserções.

Em 2024, a Polícia Judiciária desmantelou no Algarve uma rede que obteve mais de 200 financiamentos bancários fraudulentos, num valor próximo dos 40 milhões de euros, recorrendo a identidades falsas e a documentos forjados — incluindo recibos de vencimento e extratos bancários — para inflacionar a capacidade financeira aparente dos candidatos junto de instituições de crédito portuguesas, segundo a CNN Portugal. O caso, conhecido como "Operação Orange", envolveu mais de 300 imóveis adquiridos com recurso a este tipo de dossiê fabricado, o que ilustra a escala que este esquema pode atingir quando passa despercebido durante anos.

O mesmo padrão repete-se, em escala menor, em candidaturas a crédito ao consumo e a arrendamento: o candidato não fabrica um documento isolado, mas um dossiê pensado para resistir a uma verificação visual rápida. Para o crédito à habitação em particular, esta lógica de dossiê combinado com recibos e nota de liquidação de IRS está detalhada na nossa análise sobre documentos forjados em processos de financiamento imobiliário.

Como os extratos bancários são fabricados ou editados com apoio de IA

Um extrato bancário sintético já não exige competências avançadas de edição de imagem. Um modelo de linguagem consegue gerar um histórico de transações internamente coerente — alternância plausível entre débitos e créditos, entradas de salário regulares, saldo acumulado sem saltos aritméticos — e um modelo de geração de imagem reproduz depois o cabeçalho, o logótipo e a tipografia da instituição visada com fidelidade visual elevada.

Na prática, os fraudadores recorrem sobretudo a três métodos: edição direta do PDF de um extrato real, montagem de páginas de extratos diferentes para compor um histórico mais favorável, e geração completa de um documento sintético a partir de um modelo treinado sobre extratos autênticos. Os dois primeiros deixam vestígios em metadados e em inconsistências de paginação; o terceiro é mais difícil de detetar a olho nu, mas tende a falhar em coerência aritmética ao longo de várias páginas.

Segundo o ACFE 2024 Report to the Nations, apenas 37% das fraudes ocupacionais e documentais são detetadas através de mecanismos de controlo ativos, com um atraso médio de deteção de 87 dias (ACFE). Aplicado a um extrato bancário fabricado num dossiê de crédito, um atraso desta ordem significa tipicamente que o crédito já foi concedido, e em alguns casos já parcialmente desembolsado, antes de a fraude ser identificada.

Sinais de alerta num extrato bancário suspeito

Um extrato bancário fabricado apresenta quase sempre pelo menos um desvio detetável quando o dossiê é analisado como um todo, e não documento a documento.

Sinal de alerta O que verificar Nível de risco
Saldos que não batem certo entre páginas consecutivas Somar manualmente os movimentos de cada página e confirmar contra o saldo de abertura seguinte Crítico
Metadados do PDF inconsistentes com o sistema core bancário declarado Software de criação, data de modificação posterior à data do extrato, ausência de assinatura digital válida Crítico
Movimentos de salário demasiado regulares ou com valores redondos Comparar com recibos de vencimento e horário de pagamento habitual do empregador declarado Elevado
Tipografia, espaçamento ou logótipo ligeiramente diferentes de extratos anteriores do mesmo banco Comparação lado a lado com um extrato autêntico já validado da mesma instituição Elevado
IBAN, BIC ou morada do titular incoerentes com os restantes documentos do dossiê Validação cruzada entre extrato, recibo de vencimento e documento de identidade Elevado
Ausência de movimentos correntes normais (compras do dia a dia, débitos diretos) Um extrato "demasiado limpo", só com entradas de salário, é atípico de uma conta real Médio
Numeração de página ou formatação de rodapé inconsistente Verificar se falta alguma página do intervalo de datas apresentado Médio

A combinação de dois ou mais sinais desta tabela — sobretudo saldos inconsistentes associados a metadados de PDF alterados — deve suspender a decisão de crédito até verificação independente, um princípio alinhado com a exigência de diligência devida sobre documentos financeiros prevista na Lei n.º 83/2017, de 18 de agosto.

Dúvidas reais de candidatos e senhorios

Nos fóruns de finanças pessoais portugueses, a dúvida mais recorrente não vem de quem analisa o documento, mas de quem o entrega: candidatos a arrendamento questionam se é legítimo um senhorio pedir o extrato bancário completo, alegando que estão a alugar uma casa e não a pedir um empréstimo, e manifestam desconforto em expor todo o histórico de despesas a um particular. Outros relativizam o pedido, sugerindo que os recibos de vencimento deveriam bastar, e alguns questionam a confiança de um senhorio que insiste em ver o extrato completo. Esta tensão entre privacidade do candidato e necessidade de verificação é precisamente o que torna o extrato bancário um alvo apetecível para fabricação: quanto mais intrusivo o documento parece, maior a motivação para o "ajustar" antes de o entregar. O panorama mais amplo da fraude documental em candidaturas de arrendamento em Portugal está descrito no nosso artigo sobre verificação de inquilinos.

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Quadro regulatório português: diligência devida e falsificação de documento

A falsificação de um extrato bancário para obter crédito ou um contrato de arrendamento enquadra-se no crime de falsificação de documento previsto no artigo 256.º do Código Penal, que pune quem, com intenção de obter benefício ilegítimo, fizer constar falsamente de um documento facto juridicamente relevante, com pena de prisão até três anos ou multa — agravada para seis meses a cinco anos quando o documento tem natureza comercial equiparável (artigo 256.º, Código Penal).

Do lado das instituições que recebem o documento, a Lei n.º 83/2017, de 18 de agosto, obriga entidades financeiras e determinadas empresas a implementar procedimentos de diligência devida que incluem a verificação da autenticidade de documentos financeiros em operações de risco, e não apenas a confirmação da sua existência formal. O Gabinete de Cibercrime do Ministério Público recebeu 3.973 denúncias de cibercrime em 2024, mais 36% do que as 2.916 registadas em 2023, segundo a Procuradoria-Geral da República, um crescimento que reflete também o aumento de dossiês financeiros fabricados.

Para investigação criminal e denúncia de esquemas organizados de falsificação documental associados a crédito, a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária é a unidade operacional competente para crimes económico-financeiros de maior complexidade.

Protocolo de verificação em 5 passos

  1. Isolar o dossiê para análise coerente. Nenhum documento é validado isoladamente; o extrato, os recibos e o documento de identidade são analisados como um conjunto único antes de qualquer decisão.
  2. Verificar coerência aritmética entre páginas. Confirmar que os saldos de abertura e fecho de cada página do extrato se seguem sem saltos injustificados ao longo de todo o período apresentado.
  3. Analisar metadados do ficheiro. Comparar o software de criação, a data de modificação e a presença de assinatura digital válida com o padrão esperado da instituição declarada.
  4. Validar cruzadamente com outros documentos do dossiê. Cruzar o IBAN, a morada e os valores de salário do extrato com o recibo de vencimento e o documento de identidade do candidato.
  5. Escalar para revisão humana os casos com sinais múltiplos. Um único sinal de risco médio pode ser inconclusivo; dois ou mais sinais críticos ou elevados devem bloquear a decisão até confirmação junto do banco emissor.

Como a CheckFile complementa a verificação documental

A verificação manual de um dossiê completo de crédito, habitação ou arrendamento não escala quando uma equipa processa centenas de candidaturas por mês. A plataforma CheckFile analisa a coerência aritmética entre páginas de um extrato, os metadados do ficheiro e a validação cruzada com os restantes documentos do dossiê numa única verificação. A nossa cobertura de deteção assenta numa análise multicamada — estrutural, de metadados e de coerência entre documentos do mesmo dossiê — que ultrapassa aquilo que a verificação isolada de um único extrato consegue captar.

Para os casos em que se suspeita de geração sintética e não apenas de edição manual, existe uma camada adicional. A CheckFile acrescenta uma camada de deteção de sinais de geração por IA, ativada consoante a configuração e o nível de risco de cada cliente, como complemento aos controlos estruturais já existentes. Nenhum sistema automatizado deteta 100% dos documentos falsificados — a sofisticação dos geradores evolui continuamente — pelo que esta camada funciona sempre a par da verificação humana e da confirmação junto da instituição emissora, nunca em substituição delas.

Esta verificação integra-se com os fluxos de financiamento e leasing e de KYC bancário, com a arquitetura descrita na página de segurança, e os planos constam da página de preços. Para o contexto mais amplo de fraude documental bancária em onboarding KYC, veja também extratos e documentos de identidade gerados por IA no setor bancário e o guia setorial de verificação documental.

Para aprofundar a camada de deteção de sinais de geração por IA como complemento aos seus controlos existentes, consulte a verificação de documentos gerados por IA e deepfakes ou fale com a nossa equipa.

Perguntas frequentes

Como sei se um extrato bancário entregue por um candidato é falso?

Não existe um único sinal definitivo, mas a combinação de saldos que não batem certo entre páginas, metadados de PDF inconsistentes com o sistema do banco declarado e incoerências entre o extrato e os restantes documentos do dossiê é fortemente indicativa de fraude. A validação cruzada de todo o dossiê, e não a inspeção isolada do extrato, é o método mais fiável para resolver a dúvida.

Extrato bancário falso e dados bancários falsos são o mesmo tipo de fraude?

Não. Dados bancários falsos servem para redirecionar um pagamento através de um IBAN trocado, normalmente num contexto de fraude a fornecedores ou fraude do CEO. Um extrato bancário falso como comprovativo de rendimento serve para inflacionar a capacidade financeira aparente de um candidato num pedido de crédito, habitação ou arrendamento — o objetivo é obter uma aprovação, não desviar uma transferência.

É legítimo um senhorio ou uma financeira pedir o extrato bancário completo?

Não existe proibição legal genérica, mas a exigência deve ser proporcional ao risco e à finalidade da avaliação: um senhorio pode legitimamente pedir prova de rendimento e estabilidade financeira, embora associações de inquilinos considerem esta exigência excessiva quando comparada com a de um simples arrendamento. A prática mais equilibrada é aceitar documentos alternativos (recibos de vencimento, declaração de IRS) quando o candidato manifesta desconforto em partilhar o extrato completo, reservando este último para casos de maior risco ou valor.

O que fazer ao detetar um extrato bancário falso já usado numa candidatura aprovada?

Suspenda a decisão ou o desembolso pendente, preserve o ficheiro original sem o editar e confirme diretamente junto do banco emissor se o extrato corresponde a um documento por ele produzido. Em paralelo, avalie a apresentação de queixa junto da Polícia Judiciária quando existam indícios de um esquema organizado, e não apenas de um caso isolado.

A automatização elimina a necessidade de confirmar o extrato junto do banco emissor?

Não. A automatização acelera a deteção de inconsistências aritméticas, de metadados e de coerência entre documentos, mas a confirmação junto da instituição emissora continua a ser o controlo decisivo quando os sinais de risco identificados são elevados ou quando o valor da operação o justifica.

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